Segunda-feira, Janeiro 16, 2012
Quarta-feira, Dezembro 28, 2011
Sexta-feira, Dezembro 16, 2011
Sexta-feira, Dezembro 09, 2011
Sábado, Novembro 26, 2011
Terça-feira, Novembro 22, 2011
Sexta-feira, Novembro 18, 2011
as poucas alegrias que tive no mundo
Devo à paisagem as poucas alegrias que tive no mundo. Os homens só me deram tristezas. Ou eu nunca os entendi, ou eles nunca me entenderam. Até os mais próximos, os mais amigos, me cravaram na hora própria um espinho envenenado no coração. A terra, com os seus vestidos e as suas pregas, essa foi sempre generosa. (...)
Miguel Torga, in "Diário (1942)"
Domingo, Outubro 23, 2011
Quinta-feira, Outubro 20, 2011
Quinta-feira, Outubro 06, 2011
sucumbido com o dia na palma da mão
(.....) (.... ) Falamos a linguagem
do Inverno com as árvores, lembrando o que é ramo,
o que é caule, até ás raízes da impaciência serena.
Eis tudo o que nos chega prometido nas cores
confundidas no crepúsculo, reflexo supérstite do mundo
sucumbido com o dia na palma da mão.
Paulo Teixeira
in "Inventário e Despedida"
Domingo, Setembro 25, 2011
Domingo, Setembro 18, 2011
Segunda-feira, Agosto 15, 2011
Quarta-feira, Julho 27, 2011
Domingo, Julho 10, 2011
Sexta-feira, Julho 01, 2011
Domingo, Junho 19, 2011
Sábado, Maio 21, 2011
Terça-feira, Maio 10, 2011
as coisas findas
Memória
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Domingo, Maio 08, 2011
a eternidade existe
devagar, o tempo transforma tudo em tempo
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo
os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo
por si só, o tempo não é nada
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.
(....)
José Luís Peixoto
Quinta-feira, Maio 05, 2011
Terça-feira, Maio 03, 2011
Domingo, Abril 10, 2011
Quarta-feira, Abril 06, 2011
Quinta-feira, Março 17, 2011
Sexta-feira, Março 11, 2011
Sábado, Março 05, 2011
Domingo, Fevereiro 13, 2011
náufrago do tempo incerto
Pela dor amassada em lágrimas
nasces devagar asa desfolhada
no recanto letárgico do sono
ninguém te nomeia és tu
náufrago do tempo incerto e amargo
amarrado à tua ilha branca
abres as mão à madrugada
o tacto imerso da luz desce lento
o contorno das casas ritos gestos e gritos
habitam devagar a tua voz
cresces suave contra a parede
de violência cresces inteiro
contra o instinto da morte
A. J. Vieira de Freitas
Quarta-feira, Fevereiro 09, 2011
Terça-feira, Janeiro 18, 2011
Sexta-feira, Janeiro 07, 2011
Segunda-feira, Novembro 29, 2010
Quarta-feira, Novembro 24, 2010
Sexta-feira, Novembro 19, 2010
Segunda-feira, Novembro 15, 2010
hormigas de espanto y licor de lirios
(...)
Amigo,
despierta, que los montes todavía no respiran
Y las hierbas de mi corazón están en otro sitio.
No importa que estés lleno de agua de mar.
Yo amé mucho tiempo a un niño
que tenía cien años dentro de un cuchillo.
Despierta. Calla. Escucha. Incorpórate un poco.
El aullido
es una larga lengua morada que deja
hormigas de espanto y licor de lirios.
Ya viene hacia la roca. ¡No alargues tus raíces!
Se acerca. Gime. No solloces en sueños, amigo.
(...)
Federico García Llorca
Quarta-feira, Novembro 10, 2010
Sábado, Novembro 06, 2010
Quinta-feira, Novembro 04, 2010
breve alegria e longas odisseias

A lua ignora que é tranquila e clara
E não pode sequer saber que é lua;
A areia, que é a areia. Não há uma
Coisa que saiba que sua forma é rara.
As peças de marfim são tão alheias
Ao abstracto xadrez como essa mão
Que as rege. Talvez o destino humano,
Breve alegria e longas odisseias,
Seja instrumento de Outro. Ignoramos;
Dar-lhe o nome de Deus não nos conforta.
Em vão também o medo, a angústia, a absorta
E truncada oração que iniciamos.
Que arco terá então lançado a seta
Que eu sou? Que cume pode ser a meta?
Jorge Luis Borges, in "A Rosa Profunda"
Domingo, Outubro 31, 2010
Sábado, Outubro 30, 2010
Segunda-feira, Outubro 25, 2010
fora de ti há o mundo

Uma árvore está quieta,
murcha, desprezada.
Mas se o poeta a levanta pelos cabelos
e lhe sopra os dedos,
ela volta a empertigar-se, renovada.
E tu, que não sabias o segredo,
perdes a vaidade.
Fora de ti há o mundo
e nele há tudo
que em ti não cabe.
Homem, até o barro tem poesia!
Olha as coisas com humildade.
Fernando Namora, in "Mar de Sargaços









































