Segunda-feira, Novembro 09, 2009
Segunda-feira, Outubro 26, 2009
Sábado, Outubro 17, 2009
Domingo, Outubro 11, 2009
Domingo, Outubro 04, 2009
Terça-feira, Setembro 29, 2009
Domingo, Setembro 27, 2009
Sábado, Setembro 26, 2009
Sexta-feira, Setembro 25, 2009
Quarta-feira, Setembro 23, 2009
Terça-feira, Setembro 22, 2009
Quinta-feira, Setembro 17, 2009
Quarta-feira, Setembro 16, 2009
Terça-feira, Setembro 15, 2009
Domingo, Setembro 13, 2009
Sábado, Setembro 12, 2009
Domingo, Agosto 30, 2009
Sábado, Agosto 22, 2009
Sexta-feira, Agosto 14, 2009
Domingo, Agosto 09, 2009
Sábado, Agosto 08, 2009
Sábado, Julho 25, 2009
Quinta-feira, Julho 23, 2009
o milagre das coisas que eram minhas
Com o teu jardim de areia e flocos marinhas
E o teu silêncio intacto em que dorme
O milagre das coisas que eram minhas.
A ti eu voltarei após o incerto
Calor de tantos gestos recebidos
Passados os tumultos e o deserto
Beijados os fantasmas, percorridos
Os murmúrios da terra indefinida.
Em ti renascerei num mundo meu
E a redenção virá nas tuas linhas
Onde nenhuma coisa se perdeu
Do milagre das coisas que eram minhas.
Quarta-feira, Julho 22, 2009
o homem inacabado
Todas as árvores com todos os ramos com todas as folhas
A erva na base dos rochedos e as casas amontoadas
Ao longe o mar que os teus olhos banham
Estas imagens de um dia e outro dia
Os vícios as virtudes tão imperfeitos
A transparência dos transeuntes nas ruas do acaso
E as mulheres exaladas pelas tuas pesquisas obstinadas
As tuas ideias fixas no coração de chumbo nos lábios virgens
Os vícios as virtudes tão imperfeitos
A semelhança dos olhares consentidos com os olhares conquistados
A confusão dos corpos das fadigas dos ardores
A imitação das palavras das atitudes das ideias
Os vícios as virtudes tão imperfeitos
O amor é o homem inacabado.
Paul Eluard
Terça-feira, Julho 21, 2009
Domingo, Julho 19, 2009
Segunda-feira, Julho 13, 2009
Quinta-feira, Julho 09, 2009
Terça-feira, Julho 07, 2009
Domingo, Julho 05, 2009
Como uma flor vermelha
À sua passagem a noite é vermelha,
E a vida que temos parece
Exausta, inútil, alheia.
Ninguém sabe onde vai nem donde vem,
Enche o ar de caminhos e de espaços
E acorda as ruas mortas.
Então o mistério das coisas estremece
Como uma flor vermelha.
Quinta-feira, Julho 02, 2009
A hora da partida

A hora da partida soa quando
Escurecem o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.
A hora da partida soa quando
As árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.
Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Quarta-feira, Julho 01, 2009
Segunda-feira, Junho 29, 2009
A palavra mágica

Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.
Vou procurá-la
a vida inteira no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.
Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.
Carlos Drummond de Andrade
Domingo, Junho 28, 2009
Sexta-feira, Junho 26, 2009
Quinta-feira, Junho 25, 2009
Deixarei os jardins a brilhar com seus olhos
à sua imagem. Este verão concentrado
em cada espelho. O próprio
movimento o entenebrece. Mas chamejam os lábios
dos animais. Deixarei as constelações panorâmicas destes dias
internos.
Vou morrer assim, arfando
entre o mar fotográfico
e côncavo
e as paredes com as pérolas afundadas. E a lua desencadeia nas grutas
o sangue que se agrava.
Segunda-feira, Junho 22, 2009
nestes jardins de abril em que respiras.

Há jardins invadidos de luar
Que vibram no silêncio como liras,
Segura o teu amor entre os teus dedos
Nestes jardins de abril em que respiras.
A vida não virá - as tuas mãos
Não podem colher noutras a doura
Das flores baloiçando ao vento leve.
Fosse o teu corpo feito de luar,
Fosses tu o jardim cheio de lagos,
As árvores em flor, a profusão
Da sua sombra negra nos caminhos.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Domingo, Junho 21, 2009
Quinta-feira, Junho 18, 2009
o fio com que teces os dias sem memória
(....)
Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
(...)
Eugénio de Andrade
Terça-feira, Junho 16, 2009
Pequenas coisas
Falar do trigo e não dizer
o joio. Percorrerem voo raso os campos
sem pousar
os pés no chão. Abrir
um fruto e sentir
no ar o cheiro
a alfazema. Pequenas coisas,
dirás, que nada
significam perante
esta outra, maior: dizer
o indizível. Ou esta:
entrar sem bússolana floresta e não perder
o rumo. Ou essa outra, maior
que todas e cujo
nome por precaução
omites. Que é preciso,
às vezes,
não acordar o silêncio.
Albano Martins
Domingo, Junho 14, 2009
outro jardim possível e perdido
Jardim em flor, jardim da impossessão,
transbordante de imagens mais informe,
Em ti se dissolveu o mundo enorme,
Carregado de amor e solidão.
A verdura das árvores ardia,
O vermelho das rosas transbordava,
Alucinado cada ser subia
Num tumulto em que tudo germinava.
A luz trazia em si a agitação
De paraísos, deuses e de infernos,
E os instantes em ti eram eternos
De possibilidades e suspensão.
Mas cada gesto em ti se quebrou denso
Dum gesto mais profundo em ti contido,
Pois trazias em ti suspenso
Outro jardim possível e perdido.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sábado, Junho 13, 2009
Sexta-feira, Junho 12, 2009
Sou uma pequena folha na felicidade do ar
Consideremos o jardim, mundo de pequenas coisas,
calhaus, pétalas, folhas, dedos, línguas, sementes.
Sequências de convergências e divergências,
ordem e dispersões, transparência de estruturas,
pausas de areia e de água, fábulas minúsculas.
Geometria que respira errante e ritmada,
varandas verdes, direcções de primavera,
ramos em que se regressa ao espaço azul,
curvas vagarosas, pulsações de uma ordem
composta pelo vento em sinuosas palmas.
Um murmúrio de omissões, um cântico do ócio.
Eu vou contigo, voz silenciosa, voz serena.
Sou uma pequena folha na felicidade do ar.
Durmo desperto, sigo estes meandros volúveis.
É aqui, é aqui que se renova a luz.
António Ramos Rosa
Quarta-feira, Junho 10, 2009
uma ardente confusão de estrela e musgo

Esta linguagem é pura. No meio está uma fogueira
e a eternidade das mãos.
Esta linguagem é colocada e extrema e cobre, com suas
lâmpadas, todas as coisas.
As coisas que são uma só no plural dos nomes.
- E nós estamos dentro, subtis, e tensos
na música.
(....)
Dizem: ele é uma palavra.
E chega o verão, e eu sou exactamente uma Palavra.
- Porque me amam até se despedaçarem todas as portas,
e por detrás de tudo, num lugar muito puro,
todas as coisas se unirem numa espécie de forte silêncio.
Toda a água descendo é fria, fria.
Os veios que escorrem são a imensa lembrança. Os velozes
sóis que se quebram entre os dedos,
as pedras caídas sobre as partes mais trêmulas
da carne,
tudo o que é úmido, e quente, e fecundo,
e terrivelmente belo
- não é nada que se diga com um nome.
Sou eu, uma ardente confusão de estrela e musgo.
(...)
Há gente assim, tão pura.
(...)
Herberto Helder
Domingo, Junho 07, 2009
Terça-feira, Junho 02, 2009
onde a luz é feliz e se demora
Faz uma chave, mesmo pequena,
entra em casa.
Consente na doçura, tem dó
da matéria dos sonhos e das aves.
Invoca o fogo, a claridade, a música
dos flancos.
Não digas pedra, diz janela.
Não sejas como a sombra.
Diz homem, diz criança, diz estrela.
Repete as sílabas
onde a luz é feliz e se demora.
Volta a dizer: homem, mulher, criança.
Onde a beleza é mais nova.
Eugénio de Andrade
Segunda-feira, Junho 01, 2009
quando eu bati à tua porta
(...)
Era de noite quando eu bati à tua porta
e na escuridão da tua casa tu vieste abrir
e não me conheceste.
Era de noite
são mil e umas
as noites em que bato à tua porta
e tu vens abrir
e não me reconheces
porque eu jamais bato à tua porta.
Contudo
quando eu batia à tua porta
e tu vieste abrir
os teus olhos de repente
viram-me
pela primeira vez
como sempre de cada vez é a primeira
a derradeira
instância do momento de eu surgir
e tu veres-me.
Era de noite quando eu bati à tua porta
e tu vieste abrir
e viste-me
como um náufrago sussurrando qualquer coisa
que ninguém compreendeu.
Mas era de noite
e por isso
tu soubeste que era eu
e vieste abrir-te
na escuridão da tua casa.
(...)
São mil e umas
as noites em que não bato à tua porta
e vens abrir-me
Ana Hatherly
Domingo, Maio 31, 2009
Sábado, Maio 30, 2009
Sexta-feira, Maio 29, 2009
Quinta-feira, Maio 28, 2009
Às vezes as coisas dentro de nós
|
|
O que nos chama para dentro de nós mesmos |
Quarta-feira, Maio 27, 2009
Terça-feira, Maio 26, 2009
estar só é estar no íntimo do mundo
Por vezes cada objecto se ilumina
do que no passar é pausa íntima
entre sons minuciosos que inclinam
a atenção para uma cavidade mínima
E estar assim tão breve e tão profundo
como no silêncio de uma planta
é estar no fundo do tempo ou no seu ápice
ou na alvura de um sono que nos dá
a cintilante substância do sítio
O mundo inteiro assim cabe num limbo
e é como um eco límpido e uma folha de sombra
que no vagar ondeia entre minúsculas luzes
E é astro imediato de um lúcido sono
fluvial e um núbil eclipse
em que estar só é estar no íntimo do mundo
António Ramos Rosa
Segunda-feira, Maio 25, 2009
Domingo, Maio 24, 2009
Sábado, Maio 23, 2009
Sexta-feira, Maio 22, 2009
Quinta-feira, Maio 21, 2009
Quarta-feira, Maio 20, 2009
Terça-feira, Maio 19, 2009
a noite onde cresce o teu corpo azul
Adulta é a noite onde cresce
o teu corpo azul. A claridade
que se dá em troca dos meus ombros
cansados. Reflexos coloridos.
Amei o amor. Amei-te meu amor sobre ervas
orvalhadas. Não eras tu porém
o fim dessa estrada
sem fim. Canto apenas (enquanto os álamos
amadurecem) a transparência, o caminho. A noite
por ti despida. Lume e perfume
do sol. Íntimo rumor do mundo.
Casimiro de Brito, in "Solidão Imperfeita"
Segunda-feira, Maio 18, 2009
Chamar a Si Todo o Céu com um Sorriso
Domingo, Maio 17, 2009
Poema da flor proibida

Por detrás de cada flor
há um homem de chapéu de coco e sobrolho carregado.
Podia estar à frente ou estar ao lado,
mas não, está colocado
exactamente por detrás da flor.
Também não está escondido nem dissimulado,
está dignamente especado
por detrás da flor.
Abro as narinas para respirar
o perfume da flor,
não de repente
(é claro) mas devagar,
a pouco e pouco,
com os olhos postos no chapéu de coco.
Ele ama-me. Defende-me com os seus carinhos,
protege-me com o seu amor.
Ele sabe que a flor pode ter espinhos,
ou tem mesmo,
ou já teve,
ou pode vir a ter,
e fica triste se me vê sofrer.
Transmito um pensamento à flor
sem mover a cabeça e sem a olhar
De repente,
como um cão cínico arreganho o dente
e engulo-a sem mastigar.
António Gedeão
Sexta-feira, Maio 15, 2009
Quinta-feira, Maio 14, 2009
Terça-feira, Maio 12, 2009
Domingo, Maio 10, 2009
Sexta-feira, Maio 08, 2009
Poema de La Despedida

Te digo adiós, y acaso te quiero todavía.
Quizá no he de olvidarte, pero te digo adiós.
No sé si me quisiste... No sé si te quería...
O tal vez nos quisimos demasiado los dos.
Este cariño triste, y apasionado, y loco,
me lo sembré en el alma para quererte a ti.
No sé si te amé mucho... no sé si te amé poco;
pero sí sé que nunca volveré a amar así.
Me queda tu sonrisa dormida en mi recuerdo,
y el corazón me dice que no te olvidaré;
pero, al quedarme solo, sabiendo que te pierdo,
tal vez empiezo a amarte como jamás te amé.
Te digo adiós, y acaso, con esta despedida,
mi más hermoso sueño muere dentro de mí...
Pero te digo adiós, para toda la vida,
aunque toda la vida siga pensando en ti.
Jose Angel Buesa
Quarta-feira, Maio 06, 2009
Terça-feira, Maio 05, 2009
Aquestas noites tan longas
Aquestas noites tan longas
que Deus fez en grave día
por mí, por que as non dormio
e por que as non fazía
no tempo que meu amigo
soía falar comigo?
Porque as fez Deus tan grandes
non posso eu dormir, coitada,
e, de como son sobejas,
quisera eu outra vegada
no tempo que meu amigo
soía falar comigo.
Porque as Deus fez tan grandes
sen mesura desiguaes
e as eu dormir non posso,
porque as non fez ataes
no tempo que meu amigo
soía falar comigo?
Cantiga d'Amigo por Juião Bolseiro
Sábado, Maio 02, 2009
Sexta-feira, Maio 01, 2009
Quarta-feira, Abril 29, 2009
Canção grata
Por tudo o que me deste: — Inquietação, cuidado,
(Um pouco de ternura? É certo, mas tão pouco!)
Noites de insónia, pelas ruas, como um louco...
Obrigado, obrigado!
Por aquela tão doce e tão breve ilusão.
(Embora nunca mais, depois que a vi desfeita,
Eu volte a ser quem fui), sem ironia: aceita
A minha gratidão!
Que bem me faz, agora, o mal que me fizeste!
— Mais forte, mais sereno, e livre, e descuidado...
Sem ironia, amor: — Obrigado, obrigado
Por tudo o que me deste!
Carlos Queiroz (1907-1949)
Terça-feira, Abril 28, 2009
Segunda-feira, Abril 27, 2009
vivo na delícia nua da inocência

Escuto na palavra a festa do silêncio.
Tudo está no seu sítio. As aparências apagaram-se.
As coisas vacilam tão próximas de si mesmas.
Concentram-se, dilatam-se as ondas silenciosas.
É o vazio ou o cimo? É um pomar de espuma.
Uma criança brinca nas dunas, o tempo acaricia,
o ar prolonga. A brancura é o caminho.
Surpresa e não surpresa: a simples respiração.
Relações, variações, nada mais. Nada se cria.
Vamos e vimos. Algo inunda, incendeia, recomeça.
Nada é inacessível no silêncio ou no poema.
É aqui a abóbada transparente, o vento principia.
No centro do dia há uma fonte de água clara.
Se digo árvore a árvore em mim respira.
Vivo na delícia nua da inocência aberta.
António Ramos Rosa, in "Volante Verde"
Domingo, Abril 26, 2009
Sábado, Abril 25, 2009
Sexta-feira, Abril 24, 2009
Quinta-feira, Abril 23, 2009
Terça-feira, Abril 21, 2009
Domingo, Abril 19, 2009
Sexta-feira, Abril 17, 2009
Quarta-feira, Abril 15, 2009
Terça-feira, Abril 14, 2009
Quarta-feira, Abril 08, 2009
Domingo, Abril 05, 2009
Domingo, Março 29, 2009
Segunda-feira, Março 23, 2009
dentro da casa abandonada que é o teu coração

(...)
e o teu coração dizia
fecha as janelas
porque de fora vigiavam passos e rostos se aproximavam para
entrar
porque, estando lá dentro, ainda queria entrar mais e mais, passar
o mundo podre de casa antiga,
o poste junto à vedação construída com arbustos,
entrar ainda mais, mais ainda, para um lugar mais longe,
dentro da casa abandonada que é o teu coração
e, quando cheguei lá dentro, dei por mim
que me olhavas de fora da vedação
(nem tu, no coração, havias chegado tão longe)
(.....)
Laura Moniz, in "Ilha 5"
Quinta-feira, Março 19, 2009
Terça-feira, Março 17, 2009
Segunda-feira, Março 16, 2009
Terça-feira, Março 10, 2009
o som da música e mais nada

Que seja o fim. Que Deus escreva agora um zero
Defronte do meu nome. E fique, então, cerrada
A porta... Mas se ainda perguntar se quero
Alguma coisa mais? Só música e mais nada.
Que interessa o que vai por esse mundo? As mansas
Nuvens corram no céu da minha vida, e fechem
Por completo o horizonte, e seja o fim, mas deixem
Ouvir, ouvir o riso de oiro das crianças;
E ver, e ver poisar, aos bandos, nos beirais
As pombas, ou riscar violentamente o espaço
Uma andorinha. Assim, que mais eu quero? O abraço
Que alguém me der será... será talvez demais;
E ver, e ver ainda abrir-se lá nos frisos
De vasos uma outra delicada flor.
O arco-íris também... Aves e flores, risos
De crianças... E sons de música ao redor.
Fechado guardarei comigo a sete chaves
O efémero da vida... o que traz a alvorada
E a noite depois leva... Risos, flores, aves,
O arco-íris, o som da música e mais nada.
Cabral do Nascimento
(in "Fábulas", s.d.,Portugália Editora,Lisboa)
Domingo, Março 08, 2009
Sexta-feira, Março 06, 2009
Terça-feira, Março 03, 2009
a vida presente
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
(...)
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Carlos Drummond de Andrade
Domingo, Março 01, 2009
Sábado, Fevereiro 28, 2009
Segunda-feira, Fevereiro 23, 2009
Terça-feira, Fevereiro 17, 2009
LA CASA DEL SILENCIO
LA CASA dei silencio
se yergue en un rincón de la montaña,
con el capuz de tejas carcomido.
Y parece tan dócil
que apenas se conmueve con el ruido
de algún árbol cercano, donde sueña
el amoroso conclave de un nido.
Tal vez nadie la habita
ni la quiere,
y acaso nunca la vivieron hombres;
pero su lento corazón palpita
con profundo latir de resignado,
cuando el rumor la hiere
y la sangra dei trémulo costado.
Imagino, en la casa dei silencio,
un patio luminoso, decorado
por la hierba que roe las canales
y un muro despintado
ai caer de las lluvias torrenciales.
Y en las noches azules,
la pienso conturbada si adivina
um balbucir de luz en sus escaños,
y la oigo verter con un ruido
ya casi imperceptible, contenido,
sul loro paternal de tres mil años.
JOSÉ GOROSTIZA (1925)
Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009
Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009
Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009
Todo se hace en silencio
YO NO LO SÉ DE CIERTO, pero supongo
que una mujer y un hombre
algún día se quieren,
se van quedando solos poco a poco,
algo en su corazón les dice que están solos,
solos sobre la tierra se penetran,
se van matando el uno al otro.
Todo se hace en silencio. Como
se hace la luz dentro del ojo.
El amor une cuerpos.
En silencio se van llenando el uno al otro.
Cualquier día despiertan, sobre brazos:
piensan entonces que lo saben todo.
Se ven desnudos y lo saben todo.
(Yo no lo sé de cierto, pero lo supongo.)
JAIME SABINES
Terça-feira, Fevereiro 10, 2009
Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009
E tudo era possíel era só querer
Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido
Chegava o mês de maio e era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido
E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer
Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer
Ruy Belo
Domingo, Fevereiro 08, 2009
Sábado, Fevereiro 07, 2009
Quinta-feira, Fevereiro 05, 2009
Quarta-feira, Fevereiro 04, 2009
Porque eu desejo impossivelmente o possível
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
Álvaro de Campos
Terça-feira, Fevereiro 03, 2009
Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009
Domingo, Fevereiro 01, 2009
Todo o nada que és é teu

Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.
Fernando Pessoa, Janeiro de 1931
Sábado, Janeiro 31, 2009
Quinta-feira, Janeiro 22, 2009
Quarta-feira, Janeiro 21, 2009
Terça-feira, Janeiro 20, 2009
Segunda-feira, Janeiro 19, 2009
e por detrás das árvores
(...)
as palavras
ou uns passos súbitos
batendo ao compasso febril do coração
esmagando os medos
do silêncio
então descobrimos: o choro é uma certeza
não rasga horizontes
por acaso
nem os rios são fáceis de esconder.
acontecia sempre o mesmo
e por detrás das árvores rostos caíam mortos
para que o mundo não soubesse de tudo.
(...)
José António Gonçalves
Sábado, Janeiro 17, 2009
Quinta-feira, Janeiro 15, 2009
a diferença
"A diferença entre um profeta e um poeta é que o primeiro vive aquilo que ensina.
O poeta não o faz; ele pode escrever versos magníficos sobre o amor e, mesmo assim, continuar sem ser amado. Quando uma pessoa aceita não ser amada acaba por se tornar em alguém impossível de se amar".
Kahlil Gibran, in "Cartas de Amor do porfeta"
Terça-feira, Janeiro 13, 2009
Segunda-feira, Janeiro 12, 2009
Sábado, Janeiro 03, 2009
Desejos

Coisas que gostaria de fazer em 2009:
Sonhar ainda mais, ler ainda mais, escrever mais, aprender a dançar, plantar um jardim, sorrir mais, caminhar muitas vezes à beira-mar, fechar mais vezes os olhos para ouvir a chuva, continuar a acreditar nas pessoas apesar de, tirar muitas fotografias, nunca desistir desta minha estranha maneira de ser feliz, viajar, aprender a nadar, dormir bem e estar bem acordada para tudo o que está à minha volta.
Sexta-feira, Dezembro 26, 2008
Quarta-feira, Dezembro 17, 2008
Domingo, Dezembro 14, 2008
Quarta-feira, Dezembro 10, 2008
Jantar de bloguistas madeirenses
Está a ser organizado um jantar de bloguistas madeirense.
Será no dia 22 de Dezembro, em local ainda a decidir. As inscrições podem ser feitas através do blogue http://madeiraminhavida.blogspot.com
Sexta-feira, Dezembro 05, 2008
Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
Miguel Torga
Quinta-feira, Novembro 27, 2008
Nuvens correndo num rio

Nuvens correndo num rio
Quem sabe onde vão parar?
Fantasma do meu navio
Não corras, vai devagar!
Vais por caminhos de bruma
Que são caminhos de olvido.
Não queiras, ó meu navio,
Ser um navio perdido.
Sonhos içados ao vento
Querem estrelas varejar!
Velas do meu pensamento
Aonde me quereis levar?
Não corras, ó meu navio
Navega mais devagar,
Que nuvens correndo em rio,
Quem sabe onde vão parar?
Que este destino em que venho
É uma troça tão triste;
Um navio que não tenho
Num rio que não existe.
Natália Correia
Quinta-feira, Novembro 20, 2008
Quarta-feira, Novembro 19, 2008
Amo as horas sombrias do meu ser

Amo as horas sombrias do meu ser
em que os meus sentidos se aprofundam;
nelas encontrei, como em velhas cartas,
o meu dia a dia já vivido,
ultrapassado e vasto como uma lenda.
Elas me ensinam que possuo espaço
p´ra uma intemporal segunda vida.
E por vezes sou como a árvore
que madura e rumorosa, sobre uma campa
cumpre o sonho que a criança de outrora
(abraçada por suas cálidas raízes)
perdeu em tristezas e canções.
Rainer Maria Rilke . Tradução de Ana Haterly
Domingo, Novembro 09, 2008
Quarta-feira, Novembro 05, 2008
Terça-feira, Outubro 28, 2008
Domingo, Outubro 26, 2008
Segunda-feira, Outubro 20, 2008
Quarta-feira, Outubro 08, 2008
Quinta-feira, Outubro 02, 2008
Terça-feira, Setembro 30, 2008
A propósito de gaivotas

A PROPÓSITO DE GAIVOTAS
para Lília Mata
No silêncio das manhãs respiro o voo
das gaivotas no esforço lento do bater de asas
Suave é o gosto da maresia
embebido nas gotas de sol sobre as pedras
Olhamos o horizonte na espera dos barcos
e sorrimos às crianças que passam devagar à superfície
das nossas memórias familiares
E quando damos por nós
o dia esfumou-se-nos entre os dedos
como resíduos que para sempre nos confortarão
no seio dos nossos inconsequentes quereres
às vezes confundidos no universo do tempo
com as obscuras vozes mascaradas
de medos
José António Gonçalves
(inédito, 2003)
Domingo, Setembro 28, 2008
Quarta-feira, Setembro 24, 2008
Segunda-feira, Setembro 22, 2008
Sexta-feira, Setembro 19, 2008
Quinta-feira, Setembro 18, 2008
Quarta-feira, Setembro 17, 2008
Domingo, Setembro 14, 2008
No meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra.
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
Carlos Drummond de Andrade
Sábado, Setembro 13, 2008
Segunda-feira, Setembro 01, 2008
Quinta-feira, Agosto 28, 2008
Segunda-feira, Agosto 25, 2008
Segunda-feira, Agosto 18, 2008
Quinta-feira, Agosto 14, 2008
Domingo, Agosto 10, 2008
Sábado, Agosto 09, 2008
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Sábado, Julho 26, 2008
Terça-feira, Julho 15, 2008
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Quinta-feira, Junho 19, 2008
Quarta-feira, Junho 18, 2008
Terça-feira, Junho 10, 2008
Segunda-feira, Junho 09, 2008
Sexta-feira, Junho 06, 2008
Quinta-feira, Maio 29, 2008
Terça-feira, Maio 27, 2008
Procura
Procuro e não encontro
a magia
das palavras e das vozes - nossas
Procuro e não encontro
os dias felizes
em que
falávamos a mesma língua
e os mesmos silêncios
e os mesmos sonhos
e os mesmos beijos
Quarta-feira, Maio 21, 2008
Quarta-feira, Maio 14, 2008
Segunda-feira, Maio 12, 2008
Domingo, Maio 11, 2008
Sexta-feira, Maio 09, 2008
Quinta-feira, Maio 08, 2008
Segunda-feira, Maio 05, 2008
Terça-feira, Abril 29, 2008
Segunda-feira, Abril 07, 2008
Quarta-feira, Abril 02, 2008
Silêncio
"O silêncio é doloroso. Mas é no silêncio que as coisas tomam forma, e existem momentos nas nossas vidas em que tudo o que devemos fazer é esperar. Dentro de cada um, no mais profundo do ser, está uma força que vê e escuta aquilo que não podemos ainda perceber. Tudo o que somos hoje nasceu daquele silêncio de ontem."
Kahlil Gibran, "Cartas de Amor do Profeta", p. 57
Terça-feira, Março 25, 2008
Sábado, Março 22, 2008
Sexta-feira, Março 21, 2008
Quinta-feira, Março 20, 2008
Sábado, Março 15, 2008
Terça-feira, Março 11, 2008
Segunda-feira, Março 10, 2008
Revelação
Meu o ofício incerto das palavras
a evocação do tempo
o recurso ao fogo
Meu o provisório olhar
sobre este rio
o fascínio consentido das margens
sitiando a distância
Meus são os dedos que em tumulto
modelam capitéis
de sombras e arestas
Mas oculto na brisa
és Tu quem percorre o poema
despertando as aves
e dando nome aos peixes
José Tolentino Mendonça
in "Os dias contados"
Sexta-feira, Fevereiro 15, 2008
Penitência
Abandono o meu Jardim
porque o
amo desmesuradamente
e não suporto
a imperfeição com que lhe toco















































































































































