Alma de Jardineira

quinta-feira, julho 23, 2009

o milagre das coisas que eram minhas


Casa branca em frente ao mar enorme,
Com o teu jardim de areia e flocos marinhas
E o teu silêncio intacto em que dorme
O milagre das coisas que eram minhas.


A ti eu voltarei após o incerto
Calor de tantos gestos recebidos
Passados os tumultos e o deserto
Beijados os fantasmas, percorridos
Os murmúrios da terra indefinida.


Em ti renascerei num mundo meu
E a redenção virá nas tuas linhas
Onde nenhuma coisa se perdeu
Do milagre das coisas que eram minhas.


Sophia de Mello Breyner Andresen

1 Comments:

  • Conheço bem o local onde tirou a foto. O adro da Igreja de S. João (Fajã da Ovelha) proporcionamos "boas vistas".

    By Blogger Fajã da Ovelha, at 11:13 da tarde  

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